MARIA, MÃE DOS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS DE JESUS CRISTO

04 de fevereiro de 2018 – 5º Domingo, Ano B

 

Johan Konings (na Vida Pastoral 2015 e 2018) comenta a ligação entre leitura e evangelho:

A liturgia deste domingo nos ajuda a refletir sobre um assunto bem atual: a “teologia da prosperidade”! O livro de Jó nos confronta com algo incompreensível para quem acredita que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida: Jó é um homem justo e, apesar disso, perdeu tudo. Durante 40 capítulos, Jó protesta contra a injustiça de seu sofrimento sem explicação, mas no fim Deus mostra a sua presença, e Jó se consola e se cala.

Também Jesus, no Novo Testamento, nunca apresenta uma explicação do sofrimento, porque não há explicação. Mas ele traz uma solução: assume o sofrimento. Inicialmente, curando-o. No fim, sofrendo-o, em compaixão universal. Se Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre, Jesus nos mostra que Deus conhece o sofrimento do ser humano por dentro. E ele o assume até o fim.

1ª Leitura: Jó 7,1-4.6-7

Jó era uma homem rico e justo, mas sofreu uma desgraça depois da outra: roubo de todos os seus bens, morte de todos os seus filhos e ainda é cometido por uma terrível doença. Só não perdeu a fé em Deus (isso Satanás queria apostando contra Deus). Mas a própria mulher zomba de Jó porque ainda confia em Deus. Três amigos visitam-no no leito da dor (caps. 1-2). E Jó lamenta sua miséria desejando nunca ter nascido (cap. 3). Procurando uma resposta para o mistério do sofrimento, os amigos de Jó dizem que os justos são recompensados e os ímpios, castigados. Mas Jó protesta: ele não é um ímpio (caps. 4-31).

(E Jó disse:)

Desde 6,1 Jó responde ao discurso do seu amigo Elifaz (caps. 4-5) que queria motivá-lo para confiar em Deus, mas acusou Jó indiretamente de ter feito algo errado, porque pela teologia da retribuição as pessoas merecem seu sofrimento: “Eis a minha experiência: Aqueles que cultivam a iniquidade e semeiam a miséria são também os que as colhem” (4,8). Jó, porém, nega de ter culpa no seu sofrimento: “Como podeis censurar-me e repreender-me? … Voltai atrás, porque é justa a minha causa” (6,25b.29b). A Bíblia do Peregrino (p. 1073) comenta nossa leitura 7,1-6: Esses versículos soam como intervalo reflexivo, antes de se dirigir explicitamente a Deus; se diminuem a força do diálogo, revelam a intensidade da dor. O argumento é a fortiori: a sorte do homem é triste, muito mais triste a de Jó; partilha os males, não partilha os bens. Compara-se com o cap. 14.

“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer (vv. 1-4).

Johan Konings (na Vida Pastoral 2015 e 2018) comenta: Jó contempla sua vida com amargura e só consegue pedir que a aflição não seja demais e Deus lhe dê um pouco de sossego. A vida é um “serviço de mercenário”, diz. Como os boias-frias, ele sempre leva a pior. Desperta cansado e, deitado, não consegue descansar, por causa das feridas. Que Deus lhe dê um pouco de sossego…

Jó compara seu sofrimento com as aflições do trabalhador obrigado à corveia, de modo especial no serviço militar e no duro trabalho de diarista “Uma luta a vida do homem” no sentido de serviço militar (cf. 14,14), simultaneamente luta e corveia. O texto grego traduz “prova”; o latim (Vulgata), militia. O “mercenário” recebe “o salário a cada dia antes que o sol se ponha” (Dt 24,15; cf. Mt 20,8) e sofre, igual ao escravo (Lv 25,39s) diariamente pelos outros, da manhã até a tarde.

“Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga” A Bíblia do Peregrino (p. 1073) comenta: Jó nem sequer tem esse pequeno consolo. A dor cansa mais que o trabalho, e não produz, não dá descanso na noite e não tem o incentivo do pagamento. A quem pode alguém alugar sua dor?

A tradução de 4b é duvidosa, a Bíblia de Jerusalém traduz: “E pensamentos loucos invadem-me até o crepúsculo”. Nossa liturgia omitiu o v. 5 (talvez por ser concreto demais): “Meu corpo cobre-se de vermes e pústulas, a pele rompe-se e supura.”

Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança (v. 6).

“Meus dias correm mais rápido” porque deve morrer prematuramente, não porque o tempo passe depressa para ele. A imagem do tear está também em Is 38,12. “Se consomem sem esperança” (lit. “terminando o fio, chegaram ao fim”). Esta palavra hebraica “fio” pode tomar o sentido de esperança; cf. 6,9 e o mito das Parcas: As parcas, na mitologia romana (moiras na mitologia grega), eram filhas da noite (ou de Zeus e de Témis). Divindades que controlam o destino dos mortais e determinam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Zeus poderia contestar suas decisões. São também designadas fates, daí o termo fatalidade. São três deusas: “Bia” (Cloto), “Décima” (Láquesis) e “Morta” (Átropos). Cloto tece o fio da vida, Décima cuida de sua extensão e caminho, Morta corta o fio.

Interessante notar que em Roma se tinha a estrutura de calendário solar para os anos, e lunar para os atuais meses. A gravidez humana é de nove luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio da vida no útero materno, até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o indivíduo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento (fonte: Wikipédia)

Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade! (v. 7).

A brevidade da vida é o ponto de apoio, de onde se dirige a Deus. Solidário com a humanidade sofredora, resignado a morrer, Jó esboça uma prece, pedindo a Deus alguns instantes de paz e sossego antes da morte. Os versículos 7b-10 insistem no tema do “ver”: os olhos de Jó não verão mais a felicidade (v. 7), a casa não verá seu dono que desce ao túmulo (ao Xeol; v. 10), Deus não verá mais vivo seu servo, Jó (v. 8). No final desta oração, em linguagem muito próxima ao Sl 8, busca ridicularizar a imagem falsa que seus amigos fazem de Deus (vv. 17ss).

A teoria da prosperidade dos justos, a “teologia da retribuição”, não se verifica na realidade (cap. 21). Menos ainda o convence o discurso do quarto amigo (Eliú), tratando de mostrar o caráter pedagógico do sofrimento (caps. 32-37). Johan Konings (na Vida Pastoral 2015 e 2018) comenta o resto do livro de Jó:

Os amigos de Jó não resolvem nada. Vendem conselhos, mas não se compadecem. Suas palavras são pimenta na ferida. Por outro lado, mesmo amaldiçoando o próprio nascimento, Jó não amaldiçoa Deus; ao contrário, reconhece e louva sua sabedoria e suas obras na criação: o abismo de seu sofrimento pessoal não lhe fecha os olhos para a grandeza de Deus! E é exatamente por este lado que entrará sossego na sua existência. Pois Deus se revelará a ele, tornar-se-á presente em seu sofrimento – ao contrário de seus amigos sabichões –, e esta experiência do mistério de Deus fará Jó entrar em si, no silêncio (42,1-6). 

2ª Leitura: 1Cor 9,16-19.22-23

Johan Konings (na Vida Pastoral 2015 e 2018) comenta: A 2ª leitura continua com os assuntos dos coríntios, que pretendem ter a liberdade de fazer tudo o que têm direito de fazer. Paulo não concorda: nem sempre devo fazer uso de meu direito. A caridade, a paciência para com o menos forte, com o inseguro na fé, valem mais que meu direito pessoal.

No capítulo anterior, Paulo salientou o princípio do amor aos mais fracos, respeitando a consciência deles. Na questão das carnes sacrificadas aos ídolos, o amor deve primar sobre a liberdade de julgamento pessoal (8,1-13). Paulo mostra como ele mesmo, por amor para com todos, renunciou a certos direitos que a sua missão lhe conferia (cf. vv. 1-15).

A Nova Bíblia Pastoral (p. 1396) comenta: Paulo continua a defesa de sua liberdade por não depender de ninguém no seu apostolado, dentre os vários argumentos, declara que sua missão é um encargo recebido de Deus, o salário de Deus é a gratuidade, e é com essa motivação que o apóstolo evangeliza. Ele cumpre um mandato divino, e por isso não está submisso a nenhum ser humano. Em seguida, proclama um princípio fundamental para a evangelização: torna-se tudo para todos (2Cor 11,29).

Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! (v. 16).

Paulo sente-se como um profeta, forçado a pregar; cf. as confissões de Jeremias: “forçado por tua mão” (Jr 15,17), embalado por um fogo interior da mensagem, “fazia esforços para contê-la e não podia” (Jr 20,9). Ai de mim, por minha pregação! dizia Jeremias; ai de mim, se não anuncio, diz Paulo.

Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá (vv. 17-18).

O apóstolo se compara a um escravo administrador (cf. 4,1), que não recebe salário, e se opõe ao cidadão livre, contratado por dinheiro. O escravo não recebia salário algum por um “encargo” que era forçado a assumir: ao contrário, quem é livre de aceitar ou rejeitar um trabalho pode reclamar uma retribuição. Note-se o paradoxo intencional: “Não receber nenhum salário, eis o meu salário”. A generosidade desinteressada é seu melhor salário.

“Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá”, os direitos que o evangelho dá aos missionários, é comer, beber, levar consigo uma mulher nas viagens, ser dispensados de outros trabalhos e receber um salário digno (cf. vv. 4-15). Em Mt 10,10, Jesus justifica, “porque o operário tem direito a seu sustento” (lit. alimentação; Lc 10,7b: digno do seu “salário”), ou seja, o missionário pode contar com o sustento pela comunidade (1Tm 5,17s estabelece dois salários para presbíteros). Paulo afirma estas palavras de Jesus (v. 14), mas não se vale deste direito para não ser confundido com missionários exploradores (cf. os “superapóstolos” em 2Cor 11,5-7.20). Paulo segue outra palavra de Jesus: “De graça recebestes, de graça deveis dar” (Mt 10,8b).

Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível (v. 19).

Paulo não depende de seres humanos, é livre: como judeu, como cidadão romano, como cristão, mas torna-se escravo de todos, a exemplo de Cristo, servo de Deus (Fl 2,5-11; Mc 10,43-45p; Lc 22,26s; Jo 13,13-17; Is 53).

Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele (22b-23).

Quando estava com os judeus, cumpriu a lei como estivesse ainda sujeito a lei (v. 20; cf. At 16,3; 21,20-26; Gl 4,4s). Com os pagãos, vivia sem a lei de Moisés, mas segundo a lei de Cristo (v. 21; cf. 11,1; Rm 6,15-19; Gl 2,20; 6,2). Com os “fracos” (v. 22a) na consciência, dos quais falou antes (8,7-12), evitou a carne sacrificada aos ídolos (cf. 2Cor 11,29). Mas ele tem de educar todos para ganhá-los, não os deixando em sua “fraqueza” ignorante.

Paulo faz tudo isso de modo que seja boa notícia (“evangelho”) também para ele. E essa é a paga daquele que trabalhou.

 

Evangelho: Mc 1,29-39

Continuamos ouvindo o relato do dia de sábado em Cafarnaum, em que Jesus, depois de curar um homem possuído no espaço público da sinagoga (1,21-28, evangelho do domingo passado), cura uma mulher no espaço privado de uma casa.

Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André (v. 29).

Hoje as ruínas da sinagoga daquela época e os restos da casa de Simão Pedro são sítios arqueológicos em Cafarnaum. A primeira comunidade está se formando nessa cidade e nessa casa. Isso reflete a missão cristã nos primeiros séculos quando se evangelizava nas casas que serviam para catequese e cultos da assembleia e catequese (Jesus ensina nas casas em 7,7.17; 9,28.33; 10,10).

Tiago e João já haviam deixado a família (o pai em v. 20). Simão (chamado de Pedro só partir de  em 3,16; cf. Mt 16,18) parece ter sido chefe da “casa” que serve de apoio para a missão de Jesus nesta cidade (cf. 2,1; 3,20.31; 4,10?; 9,33).

A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los (vv. 30-31).

Este é o milagre mais breve nos evangelhos, mas contém todos os elementos do gênero. Os relatos de cura seguem um esquema simples: apresentação/descrição da doença e pedido de cura (“a sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus”), depois aproximação e gesto e/ou palavra daquele que cura (“ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se”; cf. 9,27; 5,41; em Lc 5,39, Jesus “ameaçou a febre”, porque pela medicina antiga eram os demônios que causaram a febre) e finalmente a demonstração da saúde recuperada (“a febre desapareceu, e ela começou servi-los”). Muitas vezes segue ainda a reação do povo admirado, aclamando ou assustado. Aqui, a reação do povo é descrita nos vv. 32ss.

O fato de Simão Pedro ter uma sogra demonstra claramente que ele era casado. Sendo natural de Betsaida (Jo 1,44), ao casar provavelmente tinha se mudado para casa dos sogros me Cafarnaum. Alguns acham que Pedro já era viúvo, mas a Bíblia não esclarece o assunto. Paulo diz que todos os outros apóstolos e Cefas (Pedro) levaram consigo uma mulher na missão, só Paulo não fez (1Cor 9,5). Em Mc 10,28s, Pedro diz que deixou tudo para seguir Jesus. Jesus promete recompensa para quem tenha deixado “casa, irmãos, irmãs, mãe e filhos e terras” por sua causa (Lc 18,29 acrescenta “mulher”).

À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios (vv. 32-34a).

A cena se alarga: da cura de indivíduos à cura em massa, da casa de família à “cidade inteira”.

Mc especifica o tempo para seus leitores naõ-judeus: “à tarde, depois do pôr do sol” quer dizer que o sábado terminou para os judeus. No sábado, dia sagrado dos judeus, era proibido trabalhar e curar (cf. Mc 2,23-3,6p; Lc 13,14; Jo 5,10.16-18; 9,14-16; no AT: Gn 2,3; Ex 16,23-30; 20,8-11; 23,12; 31,12-17 etc.). Mas para os judeus, o próximo dia já começa com o brilho da primeira estrela na véspera, então agora permitido carregar a Jesus “todos os doentes e possuídos pelo demônio” (cf. 6,55-56).

Jesus não curou “todos os doentes” que trouxeram, mas “muitas pessoas” (como depois os missionários cristãos). Mc quer relatar com credibilidade. É o primeiro sumário das curas em Mc: o que narrou antes, as curas da sogra doente e do possuído na sinagoga, agora é atividade geral. O dia em Cafarnaum é paradigmático para Mc.

E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era (v. 34).

Temos aqui outra vez o “segredo messiânico”. Como em v. 25, Jesus não só acalma os possuídos desequilibrados, mas manda calar. Não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem Ele era (v. 35; cf. v. 24; 5,6s). Quem é Jesus? Mc responde isso ao longo do seu evangelho (cf. 1,1.11.24 etc.), não precisa explicitar aqui no sumário. Os homens ainda não sabem que Jesus é o messias. Os demônios, porém, como espíritos (mesmo maus e impuros) têm conhecimento sobrenatural, mas Jesus quer manter sua identidade messiânica em segredo (cf. vv. 24s.44; 3,11s; 7,36; 8,30; 9,9) para não ser confundido com um messias guerreiro e nacionalista. Este “segredo messiânico” é típico para o evangelho de Mc que foi escrito no meio da Guerra Judaica (66-70 d.C.).

De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (vv. 35-39).

Aqui encontramos pela primeira vez outro traço característico na narração de Mc: a falta de compreensão por parte dos discípulos. Jesus começa afastar-se das multidões (cf. 3,9; 4,10; 7,24) e, “de madrugada… rezar num lugar deserto” (v. 35, cf. 6,31-46; 14,32ss). Oração, anúncio do reino e sua prática de curar os males pertencem juntos.

Os discípulos “procuraram”, a palavra grega (lit. “perseguiram”) revela um desejo egoísta (cf. 3,22; Jo 6,24), querem segurá-lo para si e para essa cidade, dizendo: “Todos estão te procurando”.  Mas Jesus responde: “Vamos a outros lugares…, devo pregar também ali, pois foi para isso que vim” (v. 38). Também isso pode refletira a prática missionária dos primeiros cristãos, escolher uma cidade como centro e depois ir aos lugares do redor, às comunidades da periferia, hoje o Papa Francisco chama isso “Igreja em saída”.

Jesus não veio para ser um médico bem-sucedido (cf. 2,17; Lc 4,23) prolongando a vida das pessoas por mais alguns anos, mas para pregar os valores do reino de Deus, praticá-los curando e, depois, salvar-nos do pecado e da morte através da doação de sua própria vida (cf. 2,5.17; 10,45). O evangelista mais novo, Jo, desenvolverá um teologia profunda sobre Jesus como “enviado” (cf. Jo 3,17.34 etc.).

E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios (v. 39).

Neste pequeno sumário termina a sequência paradigmática do primeiro dia, estendendo a atividade de Jesus de Cafarnaum “por toda a Galileia.  Como em 1,21, Jesus prega nas sinagogas (e os missionários cristãos, cf. Paulo nos At 9,20; 13,5.14ss etc.) e liberta os seres humanos da alienação, das entidades que não nos deixam ser humanos.

O site da CNBB resume: A centralidade da missão de Jesus encontra-se na revelação do Reino de Deus, de modo que para ele é mais importante a pregação do que a realização de curas e outros tipos de milagres. Os milagres estão relacionados com a revelação, pois explicitam o conteúdo principal da pregação de Jesus que é o amor que Deus tem por todos nós e o bem que ele concede a nós como manifestação desse amor. Sendo assim, o mais importante não é o milagre em si, mas a revelação que ele traz junto de si: Deus ama a todos nós com amor eterno e tudo faz pela nossa felicidade, e isso deve ser anunciado a todos os povos.

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